“It was the best of times, it was the worst of times…” Le conte de Deux cités, Charles Dickens.

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2014 foi catastrófico, 2014 foi fantástico. Em resumo, 2014 foi um ano de ruptura.

“It was the worst of times”

2014 foi o ano do 7×1, da derrota pungente na semifinal da Copa do Mundo contra uma equipe alemã corretamente preparada e do 7×1 econômico: perto de 7% de inflação (6,41%), menos de 1% de crescimento do PIB (0,4%).

O país foi também penalizado pelo seu leve crescimento em março, pela agência de classificação Standard & Poor, que reduziu a sua nota de crédito.

O governo Dilma ignorou o dispositivo da Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina avaliações bimestrais de receitas e despesas para adaptá-las à realidade do crescimento econômico e da cobrança dos impostos.

Essa irresponsabilidade tem consequências nocivas à saúde financeira do Brasil, que deve enfrentar um déficit anual de 5,3 bilhões de euros, o pior desde o Plano Real de 1994.

O fraco desempenho da indústria certamente irá aumentar a taxa de desemprego de 4,8% em 2014 para mais de 5,4% em 2015.

A Operação Lava Jato (karcher) realizada pela Polícia Federal revelou o maior escândalo de corrupção nunca descoberto no Brasil: por mais de uma década, mais de 3,5 bilhões de euros foram supostamente desviados das contas da Petrobras, a gigante do petróleo brasileiro, para empresas líderes na construção e para obras públicas do país, pertencendo aos donos da Petrobras e dos grandes partidos políticos brasileiros.

As consequências são desastrosas, a Petrobras perdeu 60% do seu valor de mercado em 4 meses e arrastou para baixo a Bovespa. De fato, a Petrobras representa 10% do PIB do país.

As empresas envolvidas no escândalo mostram fragilidade financeira: OAS, uma das quatro maiores empresas de obras públicas brasileiras, não pôde honrar suas obrigações de pagamento em janeiro.

Toda a cadeia de valor em relação aos setores de Petróleo e Gás e Construção Civil será impactada negativamente.

As pequenas e médias empresas mais frágeis lutarão para sobreviver.

Empresários brasileiros terão quer ser tenazes e mostrar, mais uma vez, criatividade.

A crise de água e de energia sopra um vento de pânico: após as políticas de negação, já temos rupturas de abastecimento de água de 2 a 5 dias e, às vezes, dependemos da eletricidade da Argentina! A população é afetada pessoalmente na sua vida diária. A rejeição de ladrões, mentirosos e políticos incapazes de gerir os recursos e a infraestrutura de seu país se torna cada vez mais perceptível.

Embora a situação macroeconômica no Brasil não seja realmente brilhante, as perspectivas de mudança em 2015 não são animadoras.

Porém, acredito no Brasil, porque as verdadeiras questões estão sendo levantadas.




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It was the best of times

Após a triste semifinal da Copa do Mundo, os brasileiros, em vez de demonstrar ressentimentos nacionalistas, abriram os olhos, analisaram a situação, mostraram sua admiração para a eficácia do modelo alemão de futebol e, desde então, questionaram o seu próprio modelo.

A campanha eleitoral que seguiu foi muito agressiva. Dilma Rousseff ganhou de pouco sobre Aécio Neves no segundo turno da eleição presidencial e deve governar com as concessões necessárias para garantir a maioria no Congresso. Enquanto 2014 foi o ano das despesas, 2015 marcará um retorno à austeridade como mostra a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Economia e das Finanças.

Ao contrário da presidente Dilma, Joaquim Levy, 53, é liberal e conservador. Era diretor do Banco Bradesco Asset Management em novembro de 2014.

Sua presença na equipe de governo é um sinal de que Dilma reconhece a fragilidade do seu modelo econômico, baseado no consumo, e que estaria pronta para mudar, o que significa limitar os gastos e aumentar os impostos, duas medidas impopulares. Em seu primeiro discurso, ele prometeu que o governo não iria intervir tanto na economia e já não privilegiaria alguns setores; é o fim da era dos “amigos do rei”. É graças a Joaquim Levy que Dilma Rousseff entende melhorar a sua imagem com o empresariado brasileiro e investidores estrangeiros. Até que ponto ele chegará? Será sua independência respeitada?

Quanto ao escândalo de corrupção Petrobras, os suspeitos “Petrolão” estão sendo julgados. Prova de que o Estado de Direito funciona no Brasil é que a justiça não tem duas velocidades e que há uma separação entre os poderes executivo e judiciário; tanto os corruptos como os corruptores já não permanecem impunes, já não agora, já não no Brasil de hoje.

Além disso, vamos ver uma mudança no setor, todos os interessados pedirão mais transparência no processo de concorrência e no apoio à execução dos contratos.

Oportunidades aparecem para as empresas estrangeiras ligadas ao setor – pequenas, médias e grandes grupos internacionais. No entanto, não podemos duvidar que novos escândalos quebrarão em outros setores da economia próximos ao governo com consequências semelhantes às do escândalo da Petrobras.

Os brasileiros, acostumados a ver o copo meio cheio, já perceberam as desvantagens econômicas e sociais de seu país, e mais do que nunca veem que seus esforços podem ser recompensados. Para alguns, a expatriação ainda aparece como a única rota de fuga, tendo em conta os problemas de infraestrutura, corrupção e segurança endêmicos no Brasil.

No entanto, uma nova geração de brasileiros está nascendo, que deseja uma pátria melhor e atua para transformá-la, seu pensamento é mais coletivo e menos individualista. Indubitavelmente, ainda temos muito trabalho a fazer, mas o Brasil mudou de direção, evitando reinventar a luta de classes.

Enquanto o Brasil sempre foi o país do futuro para as gerações anteriores, essa nova geração não tem dúvida de que ela já está vivendo no país do presente, ela o constrói mostrando o exemplo todos os dias, é uma geração corajosa.

Definitivamente, 2014 foi um sucesso e será lembrado como o ano que talvez impediu que o Brasil se tornasse politicamente como a Venezuela ou economicamente como a Argentina

É evidente que 2015 será um ano difícil, 2016 também, talvez, mas o país está evoluindo e a democracia paga o preço da sua juventude.

Ainda terão lutas contra a corrupção, falta de educação, justiça lenta, regressão do nível político e dias difíceis sem água ou, até, sem energia.

Mas há 30 anos no Brasil e como a maioria dos brasileiros, acredito que meus filhos terão uma vida melhor que a minha, e trabalho com eles nesse sentido.

A certeza de contribuir para a construção de um melhor futuro é um sentimento corajoso e galvanizado; que não é o caso em todos os países.



A certeza de contribuir para a construção de um melhor futuro é um sentimento corajoso e galvanizado; que não é o caso em todos os países.

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